terça-feira, 13 de maio de 2008

Velhinhos

Eu amo velhinhos. Velhinhos e velhinhas para ser sincera.

De verdade. Não estou louca nem tirando uma. Eu realmente sou apaixonada por essas figuras de idade que encontramos por aí. Existe coisa mais linda que uma pessoa de cabelos brancos e pele enrugada, marcada pelas experiências e pelos sentimentos de uma vida? Para mim, bem poucas.

Eu amo os olhos deles. Vocês já repararam naqueles olhos? Eles têm um brilho que destoa do resto do corpo e que nos lembra de que aquela pessoa nem sempre foi assim. Os olhos são os mesmos de antes, imutáveis, úmidos, profundos e cravados em um corpo que deixa à mostra os caminhos já trilhados. Por vezes, os olhos param e voam para longe, imagino eu para trilhar novamente os tais caminhos. E devem ser tantos...

Nesses momentos em que observo o passeio daqueles olhos, sinto como que uma inveja boa daquele ser repleto de histórias, que tanto viveu, e amou, e sofreu, e me imagino como ele, um dia, passeando pelas minhas histórias. E me emociono, sempre.

Pergunto então das suas memórias, eles contam. E amam. Senhorzinhos e senhorinhas deleitam-se ao contarem suas histórias, remoçam-se, os olhos brilhando ainda mais. Eu, ouvindo atenta, honro-me por dar-lhes esse deleite e por compartilhar momentos que lhes foram tão especiais. Quando ouço sobre as histórias que são só suas, guardadas com carinho, elas de alguma forma tornam-se também minhas e comigo ficarão mesmo depois que eles se forem. Ao ouvi-las, imaginá-las e senti-las, levo-os de volta àqueles dias e transformo as memórias, e seus donos, em parte de mim.

A convivência, a troca com estes senhores e senhoras é um presente e gostaria de tê-la com maior freqüência e intensidade. Temos tanto a aprender, mas procuramos nos lugares errados, nas pessoas erradas. Um casal de velhinhos de mãos dadas na calçada, apoiando-se mutuamente e seguindo em frente é uma lição inestimável que a maioria de nós ignora, desvia e passa apressada. Eu, por vezes, na correria do dia a dia também o faço. Sempre que posso, porém, admiro a visão, imagino tudo que viveram e passaram juntos para chegarem até ali e aproveito para recarregar a minha reserva de otimismo e de esperança por um futuro vagamente próximo daquele que idealizei para mim e os meus.

Um comentário:

Juliana disse...

E a gente nunca fez Bits no Lar dos Velhinhos...