sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Dedo

O meu dedo resolveu mexer.

Não mexer quando eu mando, isso ele sempre fez graças a Deus. Ele resolveu, do nada, mexer por conta própria.

O abusado é o indicador da mão esquerda. Metido. Todos os outros nove amiguinhos ali, de boa, sossegados, e ele sambando quando bem entende.

E o bicho é esperto. Começou de mansinho há uns três dias, de leve, quando eu estava digitando. Era relaxar as mãos que de repente o danado sacudia de fininho. Eu olhava para ele, fazia uma cara de ué e pensava... Eita coisa doida. Não deve ser nada, já já passa.

Pois é, isso rolou por dois dias até a noite passada. Deitei para dormir, pregada, praticamente um zumbi, quando o maldito dedo resolveu ter um ataque de estrela e dançar loucamente. Eu não estava acreditando naquilo. O danado não parava por nada.

Eu já ouvi falar de vários tipos de insônia, mas não conseguir dormir porque o seu próprio dedo está te cutucando, essa é nova.

Eu prendia o maluco entre os joelhos, debaixo do travesseiro, fechava a mão... Nada. Ou melhor, tudo. O dedo estava com tudo. Fiquei nessa luta surreal entre mim e essa parte específica de mim por um bom tempo até dormir exausta quando o barulho da rua já estava voltando a aparecer.

Abri os olhos e qual a minha primeira percepção matinal? O dedo continuava pirando o cabeção. Não botei uma fé, juro. E aí quem começou a pirar o cabeção fui eu, claro.

Ai meu Deus, será que é alguma coisa séria? Ta piorando... Pode ser Parkinson, com a minha memória de minhoca e agora esse dedo, bem possível.... E se for alguma doença degenerativa? No ritmo que está indo, daqui a um mês vou estar como o Stephen Hawking na cadeira de rodas, só o maldito dedo mexendo pra lá e pra cá... Se eu ainda fosse um gênio da física, as pessoas sempre esperam esse tipo de coisa de um gênio da física: “Você viu o que aconteceu com o fulano? Vi coitado, mas essas fatalidades são comuns com pessoas assim, gênios da física.”

No auge da minha piração, pensei que aquilo parecia roteiro de filme C de terror-trash, daqueles em que o membro assassino com vontade própria sai à noite praticando atos horripilantes e a pessoa acorda cheia de sangue e sem se lembrar de nada. Imaginem só os atos hediondos que um dedo poderia praticar... Nope, melhor deixar prá lá, isso ia acabar virando roteiro de filme noturno do Multishow.

Me arrastei para fora da cama morrendo de sono (não ia rolar de dormir mais, não com aquela protuberância exibida anexada em mim pululando incansavelmente) e encarei o dia, zilhões de coisas para fazer. Às vezes ele me lembrava de que estava ali, animadinho, mas a coisa sinistra foi parando, parando, e quando chegou a noite, estava pianinho, de boa. Acho que tinha passado o momento estrelinha e ele acabou resignado à sua condição de mísero dedo, subordinado à minha magnânima vontade. Que continue assim, quietinho no seu canto esquerdo superior.

Aquilo tudo foi muito, muito bizarro. O mundo já está doido o suficiente, a última coisa que eu preciso é que o meu próprio dedo despiroque junto.

3 comentários:

Senhorita L. disse...

Que bom que ele não resolveu sair apontando sozinho para todos na rua. Seria bem pior!

Carô disse...

hahahahahahahaha!!! Juju, morri de rir com a história, mas dá pra você ir logo pra acupuntura? Isso tá parecendo fisgamento de nervo!

Gi disse...

Que engraçado. Bom pelo menos foi o dedo... imagina se acontece isso com uma perna toda?!!!Você ia sair dançando em uma perna só ... A natureza é sábia!! rsrsrsrsrsrsrs