quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Terapia dançante

Segunda eu fui fotografar o espetáculo de dança de uma academia de Campinas. Estava lá, toda bonitona sentada no corredor central do teatro, bem no gargarejo, câmera on fire, curtindo algumas coisas, outras menos, quando entra em cena uma turma de mulheres mais velhas, nos seus 40 a 50 anos. Eu ria sozinha. Quero dizer, sozinha não porque a platéia compartilhava da minha empolgação, que na verdade era puro reflexo do entusiasmo e da curtição daquelas mulheres no palco.

Elas estavam lindas, espetaculares. Irradiavam uma coisa tão boa, uma alegria tão grande por estarem ali que não havia a menor dúvida de que aquilo era para elas a realização de um sonho antigo. Elas dançavam com um sorrisão tão grande no rosto, com tal prazer em cada movimento, que colocaram os bailarinos profissionais no chinelo. Desculpa tchurma, mas foi.

Eu, que já tiro pouca foto, clicava tudo e queria registrar todas até que, inesperadamente, a minha terapeuta apareceu dançando no visor da minha câmera. Baixei a máquina e estampei a minha melhor cara de . Isso mesmo, a minha terapeuta faz parte da turma da mulherada tchutchuca. Por essa eu não esperava. Jurava que ela vivia lá, atrás daquela mesa de madeira, dia após dia, hora após hora, ouvindo os problemas e as pirações dos malucos de plantão como eu. Que nada gente, ela dança! E como dança. Linda, uma das mais animadas, toda maquiada, toda chacoalhante, toda toda.

Agora eu entendo o sorrisão que ela me abre toda vez que eu falo das minhas atividades artísticas. Eu reconheci aquele sorriso no palco, de batom vermelho sob as luzes amarelas da coreografia. Não é apenas um sorriso simpático, reafirmante, é um sorriso de reconhecimento entre iguais. Que bonito isso. Adorei a surpresa e não vejo a hora de trocar figurinhas com ela sobre a nossa paixão compartilhada.

Como diriam alguns amigos meus, o mundo é mesmo uma ervilha (para não dizer uma gotinha de outra coisa mais gosmenta...). Uma ervilhinha, cada vez menor e cheia de coincidências estranhas, tão estranhas quanto a sua terapeuta dançando no visor da sua câmera de barriga de fora numa segunda-feira à noite. Fantástica ervilhinha.

3 comentários:

Tatiana disse...

E ela nunca te disse que dançava? ai que terapeuta discretinha....

Juliana Hilal disse...

Falou nada, Tati.
Descobri com a bicha ali, sacudindo no palco na minha frente.
Tudo bem que eu só fiz 2 sessões com ela até agora. A gente ainda está se conhecendo...
Bjs

Menininha bossa-nova disse...

Gotinha de pôrra, pode falar. E cita a fonte. Eu cito: eu aprendi com a Maíra...

Beijo!