terça-feira, 29 de julho de 2008

Corujices

A minha sobrinha vai ser uma figura.

Essa pequena teve o seu aniversário de um mês, no bar. Sim, no bar. A piquita nem abria os olhinhos direito e já estava na balada.

De todos os mordedores disponíveis, a gorducha resolveu coçar os seus dentinhos nascentes (quatro, tadinha) justamente com o mexedor de drink da Bacardi. Adora. Segura no morceguinho e vai firme e forte passando o plástico ondulado pela gengiva rosinha.

Água a mocinha toma no copo de tequila escrito Smirnoff. “Para ir acostumando”, diz a minha irmã para as visitas enquanto fala para ela "bebe, Lalá, bebe". Que dúvida.

O aniversário de um ano do pacotinho vai ser, obviamente, no bar. Nada de buffet com piscina de bolinhas, fliperama japonês ou videokê. O DJ vai tocar Baby Hits enquanto a criançada corre pelo palco da banda e os adultos tomam whisky e comem pizza de filet com cheddar. Na mamadeira, por enquanto, só leite.

[...]

Ela ri. Mesmo doentinha, ela ri. E cresce e aprende coisas de um segundo para o outro de uma forma inacreditável. Acompanhar e participar do processo e das descobertas de uma criança te toca de um jeito que não se explica. Quem passou por isso sabe do que eu estou falando.

Hoje ela descobriu a acelga, o jogo americano e os “dadás”.

A acelga: pegou um pedacinho do talo branco e colocou no canto da boca. Nós rimos, ela percebeu. Lá ficou a acelga, parada no cantinho da boca que não parava de sorrir. Olhava para um, fazia charme para outro, se divertindo com o gosto do novo e com o efeito daquele gesto nos adultos ao seu redor. Ela só tirou o talinho de lá quando viu a papinha. Puxou a tia, bom garfo a pequena.

O jogo americano: ela sempre gostou de brincar com ele. É de bambu, duro, bom para bater o chocalho e as mãozinhas para fazer barulho. Hoje ela descobriu que ele tem frestinhas por onde se vê o outro lado. Haja charme dessa gostosura olhando para os quatro patetas babões por trás dos bambus, rindo e brincando de esconder. Levantava e abaixava os olhinhos e dava gritinhos e falava coisas, até que no meio da brincadeira apareceram...

Os “dadás”. Pela primeira vez a conversa entre nós foi de mão dupla. Ela sempre foi falante, mas com as coisinhas dela, sons desconectados dos nossos. Hoje ela respondeu aos nossos “dadás”. Estabeleceu-se a comunicação. Nosso primeiro bate-papo de família, os cinco trocando idéias na língua dos bebês.

Eu não achei que fosse ser tão coruja, confesso. Mas eu também não sabia que a minha piquita seria a coisa mais linda do mundo. Amanhã tem mais folia, e conversa. Me segura quando ela disser titia.

4 comentários:

Menininha bossa-nova disse...

Vc dá um mexedor de drink da Bacardi pro Léo? Diz que sim, diz que sim...

Acelga não precisa, tá?

Juliana Hilal disse...

Oi Jupinha, mas é claro que dou o mexedor. Para ver se ele puxa a tia e aprende a gostar de cuba, certo?
Agora... Pense no bem do menino e deixe ele comer acelga e todos os verdes que ele quiser. Nem vem fazendo a desgraçada, sua louca.
Beijão

Paula Zumbaio disse...

Ju, sabe que filme eu gostei muito? AS PONTES de Madison!!! uhauauhauah...comentário de louco!!!!

Juliana Hilal disse...

É Paulinha, de louco mesmo. Mas EU entendi...
:P