quarta-feira, 30 de julho de 2008

Escatologias

E a gente que pensa que já passou por saias justas nessa vida. Hoje eu descobri que as coisas podem ser sempre muito piores.

Pois bem, aniversário de uma amiga em plena segundona. Todo mundo em volta da mesa falando sobre amenidades quando o assunto se enveredou por uma seara, digamos... Marrom.

Duas figuras que estavam por lá resolveram compartilhar com os amiguinhos as suas histórias de embaraços escatológicos, com direito a todos os detalhes sórdidos possíveis. Eu, depois de quase ca...ir de tanto rir, me sinto no dever de compartilhá-los com vocês. Aviso desde já que se trata de histórias reais, apenas com o palavreado dos relatos aliviado, uma vez que em uma mesa regada a cerveja e whisky as histórias foram obviamente contadas com mais carga nas tintas. Os santos responsáveis pelos milagres serão mantidos eternamente em segredo. Nem adianta perguntar.

Primeiro relato, o piloto da série. Cenário: Parque Portugal, vulgo Lagoa do Taquaral em Campinas. Estava o Santo 01 a caminhar tranquilamente pelo calçadão quando sentiu uma familiar pontada, chamada carinhosamente por ele de “bicada do urubu”. Tentou evitar o desastre com passinhos miúdos e contração das nádegas, mas as pontadas triunfaram e, na falta de lugar melhor, aliviou-se como pôde em um terreno baldio no meio da avenida. Com a cueca, o derriere e as pernas completamente sujos, não teve dúvidas: limpou-se com a bermuda que ficou imprestável e, completamente nu, saiu em disparada em direção ao banheiro do parque. Correu uns bons quarteirões escandalizando senhorinhas e crianças inocentes até atingir o seu destino final. Lá ficou, sendo resgatado pelo cunhado algumas horas depois.

Encorajado pela sinceridade do Santo 01, o Santo 02 decidiu então compartilhar uma de suas histórias. Cenário: cometão em uma viagem Sampa-Campinas em dia de engarrafamento na marginal. Estava ele dentro do ônibus incomodadíssimo com a demora para chegar à estrada quando as pontadas começaram. Segura que segura que segura até que entraram finalmente na rodovia. Talvez dê para esperar, pensou. Não deu. No desespero e sem opções, abriu a janela, posicionou-se ventilando a buzanfa e mandou ver. Tomara que o motorista não olhe pelo retrovisor...pensava, enquanto premiava asfalto e algum veículo azarado que passasse por ali. Imaginem a cena: pára-brisas carimbado e o motorista atordoado imaginando o tamanho do pombo que fez aquele estrago...

De volta ao Santo 01 - agora totalmente desinibido - mais um relato para o nosso deleite. O cenário seria também um cometão. Aparentemente esses ônibus têm um efeito devastador sobre a flora intestinal de determinadas pessoas. História parecida, desfecho mais assustador. OK, marginal lotada, demora, bicadas do urubu, vontade incontrolável. Solução: abriu alguns formulários de pedidos que tinha em sua pasta de trabalho, agachou-se entre os últimos bancos e relaxou, o cheiro insuportável invadindo o ônibus e começando a despertar as pessoas lá da frente. Terminado o serviço, resolveu o espertão arremessar a obra para fora do ônibus. Com o embrulho na mão, abriu a janela e... Surpresa, a ventania que entrou jogou o pacote novamente para dentro, espalhando dejetos para todo lado. Merda ao vento, pura e literal.

À essa altura todos na mesa haviam obviamente parado de comer, de falar e de fazer qualquer outra coisa que não fosse gargalhar e beber. Inacreditáveis essas situações. E houve outras, houve de tudo na verdade, com direito a esparramar cocô pelo papel de parede chiquérrimo de uma clínica de estética, valer-se de um copo de milk-shake do Bob’s para aliviar-se dentro do ônibus, parar o carro com o farol aceso e a porta aberta no meio da rua para correr e fazer a coisa no terreno baldio em frente a uma platéia nas sacadas do prédio da frente... E ser aplaudido de pé.

Eu ouvia a tudo e agradecia todo o tempo por não ter esse tipo de problema. É muito constrangimento, gente, Deus me livre.

Eles, porém, parecem ter se acostumado com o risco e, pela tranqüilidade com que falaram do assunto, abstraíram desses pudores sociais. Cocô é cocô, todo o mundo faz, a maioria no banheiro, alguns em lugares mais inusitados. Quem nunca sentiu a tal bicada do urubu que atire a primeira pedra.

10 comentários:

Renato_EDAP disse...

Mas no Comenta não tem banheiro?

Juliana Hilal disse...

Oi Renato,
Há quanto tempo rapaz!
Alguns modelos de Cometa têm, outros não. Eles devem ter dado azar.
Vai saber.
Beijão,
Ju.

Menininha bossa-nova disse...

Eu tenho 5 histórias de cocô. Você sabe. Adoro todas elas.
Hihihi. Eu ia fazer sucesso nessa mesa (mas as minhas são mais limpinhas...).
Adoro minhas histórias de cocô, e você me salvou numa delas, lembra???

Juliana Hilal disse...

Juju,
Você estaria pau a pau com os figuras naquela mesa.
Quanto a ter te salvado, nem mesmo eu esqueceria daquele dia fatídico...rs
Bjs querida

Candy Girl disse...

Gente, dá até roteiro de filme... Povo criativo não! bjuuus

Paula zumbaio disse...

Fonte segura: na verdade o Cometa não tinha banheiro até o ocorrido aqui relatado, foi depois do acontecido que decidiram instalar os banheiros..uahuahuahuahua

thataforster disse...

ei.. que historia é essa de falar de cocô e não me chamar!! hahahahaha

eu poderia cpomentar sobre a falta dele, ou sobre a sensação do papel, hahahaha lembra Juju... srsrsrs

só vcs mesmo... bjos

Juliana Hilal disse...

Hahahaha
É verdade Thata, o seu depoimento seria o contraponto perfeito para aquelas histórias.
Qq dia vou postar aquele texto em sua homenagem...rs
Bjs

Tatiana disse...

Eu devia estar nessa mesa!!!!
Pena que não estava!

Juliana Hilal disse...

Tati, Jupa e Thata,
Não lamentem, a gente pode fazer uma nova rodada de histórias de cocô para vocês compartilharem as suas experiências. Tenho certeza de que será muito...enriquecedor.
:P
Beijos